sábado, 21 de junho de 2008

O CONCÍLIO DE NICÉIA

325 D.C – É realizado o Concílio de Nicéia, atual cidade de Iznik, província de Anatólia ( nome que se costuma dar à antiga Ásia Menor ), na Turquia asiática. A Turquia é um país euro-asiático, constituído por uma pequena parte européia, a Trácia, e uma grande parte asiática, a Anatólia. Este foi o primeiro Concílio Ecumênico da Igreja, convocado pelo Imperador Flavius Valerius Constantinus ( 285 - 337 d.C ), filho de Constâncio I. Quando seu pai morreu em 306, Constantino passou a exercer autoridade suprema na Bretanha, Gália ( atual França ) e Espanha. Aos poucos, foi assumindo o controle de todo o Império Romano.

Desde Lúcio Domício Aureliano ( 270 - 275 d.C ), os Imperadores tinham abandonado a unidade religiosa, com a renúncia de Aureliano a seus "direitos divinos", em 274. Porém, Constantino, estadista sagaz que era, inverteu a política vigente, passando, da perseguição aos cristãos, à promoção do Cristianismo, vislumbrando a oportunidade de relançar, através da Igreja, a unidade religiosa do seu Império. Contudo, durante todo o seu regime, não abriu mão de sua condição de sumo-sacerdote do culto pagão ao "Sol Invictus". Tinha um conhecimento rudimentar da doutrina cristã e suas intervenções em matéria religiosa visavam, a princípio, fortalecer a monarquia do seu governo.

Na verdade, Constantino observara a coragem e determinação dos mártires cristãos durante as perseguições promovidas por Diocleciano, em 303. Sabia que, embora ainda fossem minoritários ( 10% da população do império ), os cristãos se concentravam nos grandes centros urbanos, principalmente em território inimigo. Foi uma jogada de mestre, do ponto de vista estratégico, fazer do Cristianismo a Religião Oficial do Império : Tomando os cristãos sob sua proteção, estabelecia a divisão no campo adversário. Em 325, já como soberano único, convocou mais de 300 bispos ao Concílio de Nicéia. Constantino visava dotar a Igreja de uma doutrina padrão, pois as divisões, dentro da nova religião que nascia, ameaçavam sua autoridade e domínio. Era necessário, portanto, um Concílio para dar nova estrutura aos seus poderes.

E o momento decisivo sobre a doutrina da Trindade ocorreu nesse Concílio. Trezentos Bispos se reúnem para decidir se Cristo era um ser criado ( doutrina de Arius ) ou não criado, e sim igual e eterno como Deus Seu Pai ( doutrina de Atanásio ). A igreja acabou rejeitando a idéia ariana de que Jesus era a primeira e mais nobre criatura de Deus, e afirmou que Ele era da mesma "substância" ou "essência" ( isto é, a mesma entidade existente ) do Pai. Assim, segundo a conclusão desse Concílio, há somente um Deus, não dois; a distância entre Pai e Filho está dentro da unidade divina, e o Filho é Deus no mesmo sentido em que o Pai o é. Dizendo que o Filho e o Pai são "de uma substância", e que o Filho é "gerado" ("único gerado, ou unigênito", João 1. 14,18; 3. 16,18, e notas ao texto da NVI), mas "não feito", o Credo Niceno, estabelece a Divindade do homem da Galiléia, embora essa conclusão não tenha sido unânime. Os Bispos que discordaram, foram simplesmente perseguidos e exilados.

Com a subida da Igreja ao poder, discussões doutrinárias passaram a ser tratadas como questões de Estado. E na controvérsia ariana, colocava-se um obstáculo grande à realização da idéia de Constantino de um Império universal que deveria ser alcançado com a uniformidade da adoração divina.

O Concílio foi aberto formalmente a 20 de maio, na estrutura central do palácio imperial, ocupando-se com discussões preparatórias na questão ariana, em que Arius, com alguns seguidores, em especial Eusébio, de Nicomédia ; Teógnis, de Nice, e Maris, de Chalcedon, parecem ter sido os principais líderes. Como era costume, os bispos orientais estavam em maioria. Na primeira linha de influência hierárquica estavam três arcebispos : Alexandre, de Alexandria ; Eustáquio, de Antioquia e Macário, de Jerusalém, bem como Eusébio, de Nicomédia e Eusébio, de Cesaréia. Entre os bispos encontravam-se Stratofilus, bispo de Pitiunt ( Bichvinta, reino de Egrisi ). O ocidente enviou não mais de cinco representantes na proporção relativa das províncias : Marcus, da Calabria ( Itália ) ; Cecilian, de Cartago ( África ) ; Hosius, de Córdova ( Espanha ) ; Nicasius, de Dijon ( França ) e Domnus, de Stridon ( Província do Danúbio ). Apenas 318 bispos compareceram, o que equivalia a apenas uns 18% de todos os bispos do Império. Dos 318, poucos eram da parte ocidental do domínio de Constantino, tornando a votação, no mínimo, tendenciosa. Assim, tendo os bispos orientais como maioria e a seu favor, Constantino aprovaria com facilidade, tudo aquilo que fosse do seu interesse.

As sessões regulares, no entanto, começaram somente com a chegada do Imperador. Após Constantino ter explicitamente ordenado o curso das negociações, ele confiou o controle dos procedimentos a uma comissão designada por ele mesmo, consistindo provavelmente nos participantes mais proeminentes desse corpo. O Imperador manipulou, pressionou e ameaçou os partícipes do Concílio para garantir que votariam no que ele acreditava, e não em algum consenso a que os bispos chegassem. Dois dos bispos que votaram a favor de Arius foram exilados e os escritos de Arius foram destruídos. Constantino decretou que qualquer um que fosse apanhado com documentos arianistas estaria sujeito à pena de morte.

Mas a decisão da Assembléia não foi unânime, e a influência do imperador era claramente evidente quando diversos bispos de Egito foram expulsos devido à sua oposição ao credo. Na realidade, as decisões de Nicéia foram fruto de uma minoria. Foram mal entendidas e até rejeitadas por muitos que não eram partidários de Ário. Posteriormente, 90 bispos elaboraram outro credo ( O "Credo da Dedicação" ) em, 341, para substituir o de Nicéia. (...) E em 357, um Concílio em Smirna adotou um credo autenticamente ariano.

Portanto, as orientações de Constantino nessa etapa foram decisivas para que que o Concílio promulgasse o credo de Nicéia, ou a Divindade de Cristo, em 19 de Junho de 325. E com isso, veio a conseqüente instituição da Santíssima Trindade e a mais discutida, ainda, a instituição do Espírito Santo, o que redundou em interpolações e cortes de textos sagrados, para se adaptar a Bíblia às decisões do conturbado Concílio e outros, como o de Constantinopla, em 38l, cujo objetivo foi confirmar as decisões daquele.

A concepção da Trindade, tão obscura, tão incompreensível, oferecia grande vantagem às pretensões da Igreja. Permitia-lhe fazer de Jesus Cristo um Deus. Conferia a Jesus, que ela chama seu fundador, um prestígio, uma autoridade, cujo esplendor recaia sobre a própria Igreja católica e assegurava o seu poder, exatamente como foi planejado por Constantino. Essa estratégia revela o segredo da adoção trinitária pelo concílio de Nicéia.

Os teólogos justificaram essa doutrina estranha da divinização de Jesus, colocando no Credo a seguinte expressão sobre Jesus Cristo : “Gerado, não criado”. Mas, se foi gerado, Cristo não existia antes de ser gerado pelo Pai. Logo, Ele não é Deus, pois Deus é eterno ! Espelhando bem os novos tempos, o Credo de Nicéia não fez qualquer referência aos ensinamentos de Jesus. Faltou nele um "Creio em seus ensinamentos", talvez porque já não interessassem tanto a uma religião agora sócia do poder Imperial Romano.

Mesmo com a adoção do Credo de Nicéia, os problemas continuaram e, em poucos anos, a facção arianista começou a recuperar o controle. Tornaram-se tão poderosos que Constantino os reabilitou e denunciou o grupo de Atanásio. Arius e os bispos que o apoiavam voltaram do exílio. Agora, Atanásio é que foi banido. Quando Constantino morreu ( depois de ser batizado por um bispo arianista ), seu filho restaurou a filosofia arianista e seus bispos e condenou o grupo de Atanásio.

Nos anos seguintes, a disputa política continuou, até que os arianistas abusaram de seu poder e foram derrubados. A controvérsia político/religiosa causou violência e morte generalizadas. Em 381 d.C, o imperador Teodósio ( um trinitarista ) convocou um concílio em Constantinopla. Apenas bispos trinitários foram convidados a participar. Cento e cinquenta bispos compareceram e votaram uma alteração no Credo de Nicéia para incluir o Espírito Santo como parte da divindade. A doutrina da Trindade era agora oficial para a Igreja e também para o Estado. Com a exclusiva participação dos citados bispos, a Trindade foi imposta a todos como "mais uma verdade teológica da igreja". E os bispos, que não apoiaram essa tese, foram expulsos da Igreja e excomungados.

Por volta do século IX, o credo já estava estabelecido na Espanha, França e Alemanha. Tinha levado séculos desde o tempo de Cristo para que a doutrina da Trindade "pegasse". A política do governo e da Igreja foram as razões que levaram a Trindade a existir e se tornar a doutrina oficial da Igreja. Como se pode observar, a doutrina trinitária resultou da mistura de fraude, política, um imperador pagão e facções em guerra que causaram mortes e derramamento de sangue.

As Igrejas Cristãs hoje em dia dizem que Constantino foi o primeiro Imperador Cristão, mas seu "cristianismo" tinha motivação apenas política. É altamente duvidoso que ele realmente aceitasse a Doutrina Cristã. Ele mandou matar um de seus filhos, além de um sobrinho, seu cunhado e possivelmente uma de suas esposas. Ele manteve seu título de alto sacerdote de uma religião pagã até o fim da vida e só foi batizado em seu leito de morte.


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OBS : Em 313 d.C., com o grande avanço da "Religião do Carpinteiro", o Imperador Constantino Magno enfrentava problemas com o povo romano e necessitava de uma nova Religião para controlar as massas. Aproveitando-se da grande difusão do Cristianismo, apoderou-se dessa Religião e modificou-a, conforme seus interesses. Alguns anos depois, em 325 D.C, no Concílio de Nicéia, é fundada, oficialmente, a Igreja Católica.

Portanto, a versão de que a igreja católica teria mais de 2.000 anos, servindo assim de mais um reforço para que autoridades católicas espalhassem aos quatro ventos que essa igreja teria sido fundada por Cristo, cai definitivamente por terra. Para maiores detalhes, sugiro a leitura de :

Tribuna da imprensa Online - Igreja Católica não tem 21 séculos e sim 18


Há que se ressaltar que, "Igreja" na época de Jesus, não era a "Igreja" que entendemos hoje, pois se lermos os Evangelhos duma ponta à outra veremos que a palavra «Igreja», no sentido que hoje lhe damos, nem sequer neles é mencionada exceto por aproximação e apenas três vezes em dois versículos no Evangelho de Mateus (Mt 16, 18 e Mt 18, 17), pois a palavra grega original, usada por Mateus, ekklêsia, significa simplesmente «assembleia de convocados», neste caso a comunidade dos seguidores da doutrina de Jesus, ou a sua reunião num local, geralmente em casas particulares onde se liam as cartas e as mensagens dos apóstolos. Sabemo-lo pelo testemunho de outros textos do Novo Testamento, já que os Evangelhos a esse respeito são omissos. Veja-se, por exemplo, a epístola aos Romanos (16, 5) onde Paulo cita o agrupamento (ekklêsia) que se reunia na residência dum casal de tecelões, Aquila e Priscila, ou a epístola a Filémon (1, 2) onde o mesmo Paulo saúda a ekklêsia que se reunia em casa do dito Filémon ; num dos casos, como lemos na epístola de Tiago (2, 2), essa congregação cristã é designada por «sinagoga». Nada disto tem a ver, portanto, com a imponente Igreja católica enquanto instituição formal estruturada e oficializada, sobretudo a partir do Concílio de Nícéia, presidido pelo Imperador Constantino, mais de 300 anos após a morte de Cristo.

Onde termina a IGREJA PRIMITIVA dos Atos dos Apóstolos e começa o Catolicismo Romano ?

Quando Roma tornou-se o famoso império mundial, assimilou no seu sistema os deuses e as religiões dos vários países pagãos que dominava. Com certeza, a Babilônia era a fonte do paganismo desses países, o que nos leva a constatar que a religião primitiva da Roma pagã não era outra senão o culto babilônico. No decorrer dos anos, os Líderes da época começaram a atribuir a si mesmos, o poder de "senhores do povo" de Deus, no lugar da Mensagem deixada por Cristo. Na época da Igreja Primitiva, os verdadeiros Cristãos eram jogados aos leões. Bastava se recusar a seguir os falsos ensinamentos e o castigo vinha a galope. O paganismo babilônico imperava a custa de vidas humanas.

No ano 323 d.C, o Imperador Constantino professou conversão ao Cristianismo. As ordens imperiais foram espalhadas por todo o império : As perseguições deveriam cessar ! Nesta época, a Igreja começou a receber grandes honrarias e poderes mundanos. Ao invés de ser separada do mundo, ela passou a ser parte ativa do sistema político que governava. Daí em diante, as misturas do paganismo com o Cristianismo foram crescendo, principalmente em Roma, dando origem ao Catolicismo Romano. O Concílio de Nicéia, na Ásia Menor, presidido por Constantino era composto pelos Bispos que eram nomeados pelo Imperador e por outros que eram nomeados por Líderes Religiosos das diversas comunidades. Tal Concílio consagrou oficialmente a designação "Católica" aplicada à Igreja organizada por Constantino : "Creio na igreja una, santa, católica e apostólica". Poderíamos até mesmo dizer que Constantino foi seu primeiro Papa. Como se vê claramente, a Igreja Católica não foi fundada por Pedro e está longe de ser a Igreja primitiva dos Apóstolos ...

Em resumo : Por influência dos imperadores Constantino e Teodósio, o Cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano e entrou no desvio. Institucionalizou-se; surgiu o profissionalismo religioso; práticas exteriores do paganismo foram assimiladas; criaram-se ritos e rezas, ofícios e oficiantes. Toda uma estrutura teológica foi montada para atender às pretensões absolutistas da casta sacerdotal dominante, que se impunha aos fiéis com a draconiana afirmação : "Fora da Igreja não há salvação".

Além disso, Constantino queria um Império unido e forte, sem dissenções. Para manter o seu domínio sobre os homens e estabelecer a ditadura religiosa, as autoridades eclesiásticas romanas deviam manter a ignorância sobre as filosofias e Escrituras. A mesma Bíblia devia ser diferente. Devia exaltar Deus e os Patriarcas mas, também, um Deus forte, para se opor ao próprio Jeová dos Hebreus, ao Buda, aos poderosos deuses do Olimpo. Era necessário trazer a Divindade Arcaica Oriental, misturada às fábulas com as antigas histórias de Moisés, Elias, Isaías, etc, onde colocaram Jesus, não mais como Messias ou Cristo, mas, maliciosamente, colocaram Jesus parafraseado de divindade no lugar de Jezeu Cristna, a segunda pessoa da trindade arcaica do Hinduísmo.

Nesse quadro de ambições e privilégios, não havia lugar para uma doutrina que exalta a responsabilidade individual e ensina que o nosso futuro está condicionado ao empenho da renovação interior e não à simples adesão e submissão incondicional aos Dogmas de uma Igreja, os quais, para uma perfeita assimilação, era necessário admitir a quintessência da teologia : "Credo quia absurdum", ou seja, "Acredito mesmo que seja absurdo", criada por Tertuliano ( 155-220 ), apologista Cristão.

Disso tudo deveria nascer uma religião forte como servia ao império romano. Vieram ainda a ser criados os simbolismos da Sagrada Família e de todos os Santos, mas as verdades do real cânone do Novo Testamento e parte das Sagradas Escrituras deviam ser suprimidas ou ocultadas, inclusive as obras de Sócrates e outras Filosofias contrárias aos interesses da Igreja que nascia.

Esta lógica foi adotada pelas forças clericais mancomunadas com a política romana, que precisava desta religião, forte o bastante, para impor-se aos povos conquistados e reprimidos por Roma, para assegurar-se nas regiões invadidas, onde dominava as terras, mas não o espírito dos povos ocupados. Em troca, o Cristianismo ganhava a Universalidade, pois queria se tornar "A Religião Imperial Católica Apostólica Romana", a Toda Poderosa, que vinha a ser sustentada pela força, ao mesmo tempo que simulava a graça divina, recomendando o arrependimento e perdão, mas que na prática, derrotava seus inimigos a golpes de espada.

Então não era da tolerância pregada pelo Cristianismo que Constantino precisava, mas de uma religião autoritária, rígida, sem evasivas, de longo alcance, com raízes profundas no passado e uma promessa inflexível no futuro, estabelecida mediante poderes, leis e costumes terrenos.

Para isso, Constantino devia adaptar a Religião do Carpiteiro, dando-lhes origens divinas e assim impressionaria mais o povo o qual sabendo que Jesus era reconhecido como o próprio Deus na nova religião que nascia, haveria facilidade de impor a sua estrutura hierárquica, seu regime monárquico imperial, e assim os seus poderes ganhariam amplos limites, quase inatingíveis.

Quando Constantino morreu, em 337, foi batizado e enterrado na consideração de que ele se tornara um décimo terceiro Apóstolo, e na iconografia eclesiástica veio a ser representado recebendo a coroa das mão de Deus.


Fontes :

* UMA HISTÓRIA DA LEITURA, de Alberto Manguel, COMPANHIA DAS LETRAS – SP, 1997 ( páginas 228 a 237 ) da "LEITURA DO FUTURO" - Editora Schwarcz Ltda.

* Documentos da Igreja Cristã, de H. Bettenson

* História da Igreja Católica, Philip Hughes, Dominus

* História Universal, H.G. Wells

* Instituto São Thomás de Aquino - Fundação para Ciência e Tecnologia - Dominicanos de Lisboa - Portugal.

* http://www.angelfire.com/on2/mikemcclellan/baf.html

* http://www.anzwers.org/free/jesuschrist/index.html



sexta-feira, 20 de junho de 2008

O Priorado de Sião



E
sta secção inicia-se com o esclarecimento de que a organização que aqui se chama Priorado de Sião, é a organização francesa de seu nome original Prieuré de Sion, ou como também tem sido frequentemente chamada nos meios da lusofonia brasileira, Monastério de Sião.
Antes de percorrer os complicados passos da ideologia de Plantard e do seu Priorado, convém obter um pouco de perspectiva, e procurar vislumbrar um panorama global deste fenómeno. As questões são tantas, que é difícil saber por onde começar... O que é o Priorado de Sião? Porquê este nome? Como foi criado? Onde foram os fundadores do Priorado buscar as suas ideias? Que quer o Priorado? As suas ambições são legítimas? Quem faz parte do Priorado? Quais são as suas actividades correntes?
Após obtida alguma perspectiva com a leitura de respostas sucintas a estas questões, serão analisados os assuntos e os factos cruciais para a compreensão desta organização, bem como para a compreensão do seu envolvimento no mistério de Rennes, e da sua responsabilidade na criação desta verdadeira mitologia moderna. No final, daremo-nos melhor conta do esforço e da erudição que foi necessária para a construção deste impressionante puzzle surrealista de mentiras e meias verdades.

Antes de entrar imediatamente no assunto, vejamos algumas questões-chave:


O que é o Priorado de Sião?
É uma falsa questão, visto que o Priorado de Sião já foi muitas coisas nas mãos do seu criador Pierre Plantard. Hoje em dia, admiradores franceses, britânicos e americanos de Pierre Plantard pertencem a neo-Priorados, cuja legitimidade é já nula porque não foram criados pela vontade do fundador Pierre Plantard.

Como começou o Priorado de Sião?
Começou como uma associação declarada legalmente (de acordo com a lei francesa de 1901) a 20 de Julho de 1956. O pedido de autorização de constituição foi efectuado a 7 de Maio de 1956, na Sub-Prefeitura de Polícia de Saint-Julien-en-Genevois (Alta Sabóia), mediante uma carta assinada pelos quatro fundadores: Pierre Plantard, André Bonhomme, Jean Deleaval e Armand Defago. A sede social estava estabelecida na casa de Plantard, em Sous-Cassan, Annemasse, na Alta Sabóia. O texto de constituição, conforme consta no Journal Officiel, número 167, segundo Pierre Jarnac, é o seguinte: "25 juin 1956. Déclaration à la sous-préfecture de Saint-Julien-en-Genevois. Prieuré de Sion. But: études et entr'aide des membres. Siège social: Sous-Cassan, Annemasse (Haute-Savoie).". O objecto era: "La constitution d'un ordre catholique, destiné à restituer sous une forme moderne, en lui conservant sont caractère traditionaliste, l'antique chevalier, qui fut, par son action, la promotrice d'un idéal hautement moralisateur et élément d'une amélioration constante des règles de vie de la personnalité humaine", ou seja, "A constituição de uma ordem católica, destinada a restituir numa forma moderna, conservando o seu carácter tradicionalista, o antigo cavaleiro, que foi, pela sua acção, a promotora de um ideal altamente moralizante e elemento de um melhoramento constante das regras de vida da personalidade humana".

Porquê este nome?
Plantard era um admirador incondicional de Paul Lecour, o fundador da revista Atlantis. Em vários artigos, Lecour tinha tentado incentivar a juventude cristã francesa a recuperar os ideais da cavalaria, sugerindo que se criassem grupos aos quais ele dava o nome de "Prieurés", ou "priorados". Plantard seguiu esta sugestão! O nome "Sion" (ou "Sião") foi escolhido devido à proximidade geográfica da casa de Plantard em Sous-Cassan (Annemasse) com a colina de Mont-Sion. Pierre Plantard, a partir de 1960, desviou a postura originalmente política do Priorado para uma postura mais mítica e mística, muito provavelmente numa iniciativa solitária e independente dos fundadores originais do Priorado. É a partir desta altura que ele começa a propagar que o Priorado teria tido origem em Jerusalém no século XI (1099). Ora em Jerusalém existe o monte Sião, o que ajudou à mistificação de Plantard. Contudo, a sede do Priorado foi sempre na casa do próprio Plantard, onde ele morava com a mãe, o que evidencia a dimensão reduzidíssima, e por vezes puramente "solista" desta organização, que nunca teve um número relevante de membros para além de Plantard, e de alguns amigos, como Phillipe de Chérisey e André Bonhomme (este último apenas no Priorado original, até 1960 - André Bonhomme não participou na versão mítico-mística do Priorado pós-1960).

Qual é o significado do sub-título C.I.R.C.U.I.T.?
Chevalerie d'Institution et Règle Catholique & d'Union Indépendante Traditionaliste. Ou "Cavalaria de Instituição e Regra Católica e de União Independente Tradicionalista". "CIRCUIT" era também o nome da publicação panfletária original do Priorado de Sião, editada em Annemasse, cujo primeiro número data de 27 de Maio de 1956.

Onde foi Pierre Plantard desencantar as ideias para o Priorado pós-1960?
Estas ideias não eram novas, e têm origem numa série de movimentos de renovação espiritual cristã que surgiram no final do século XIX em França. Mais concretamente, falamos do Hiéron du Val d'Or, criado em Paray-le-Monial. Adicionalmente, o Priorado retirou ideias de outros movimentos, como o da revista "Atlantis", fundada pelo esoterista Paul Lecour. Mas o elemento mais importante está no reaproveitamento que Plantard faz, a partir dos anos 60, e juntamente com Chérisey e o jornalista Gérard de Sède, do enigma de Rennes-le-Château.

Que quis Pierre Plantard com este Priorado?
Ele tentou propagar em França os ideais de restauração de uma monarquia tradicionalista, apresentando-se como herdeiro merovíngio à coroa francesa. Pierre Plantard defendia que o Priorado existia desde o século XI e que tinha protegido desde então uma linhagem dinástica proveniente da primeira dinastia francesa, a dinastia dos Merovíngios. Assim, o Priorado pretendia conseguir legitimar uma monarquia em França baseando-a num representante altamente simbólico porque merovíngio. Esse representante seria, claro, o próprio senhor Plantard, que a dada altura passou a intitular-se "Pierre Plantard de Saint-Clair", tendo-se sempre outorgado uma linhagem aristocrática incólume.

As suas ambições são legítimas?
Tudo indica que não. Não só não se conhece um representante da dinastia merovíngia em França, como a maioria dos franceses não está inclinada na direcção de nenhuma monarquia, Orleães ou Saint-Clair que seja! O Priorado de Sião tem como criador Pierre Plantard. Plantard forjou uma tabela fraudulenta de Grão-Mestres (listados desde o século XII), que inseriu nos Dossiers Secrets atribuídos a um pseudo-Lobineau, depositados na Biblioteca Nacional, em Paris, a 27 de Abril de 1967. Essa lista de grão-mestres foi montada com base em material proveniente de propaganda AMORC (pseudo-rosacruz) do século XIX, sendo que a versão da Biblioteca Nacional apenas traz de novo o nome de Jean Cocteau, que foi adicionado por sugestão de Phillipe de Chérisey, amigo de longa data e colaborador de Plantard, que tinha uma apetência especial pelos surrealistas, dos quais Jean Cocteau era uma figura de proa.

Porque recorreram eles ao enigma de Rennes-le-Château?
Rennes-le-Château era a opção óbvia nos anos sessenta. Plantard e Chérisey, juntamente com o sócio de ambos, Gérard de Sède, fizeram uma primeira tentativa usando o mistério de Gisors, um pequena lenda de tesouros, tentando transformá-la no epicentro do drama da dinastia merovíngia. A tentativa teve pouco sucesso. Recordemos que durante os anos cinquenta e sessenta, Rennes-le-Château, graças às iniciativas propagandísticas de Noël Corbu, crescera em turismo e em visitantes, que procuravam a todo o custo o tesouro escondido pelo "padre dos milhões". Plantard e os seus amigos ouviram falar desta fabulosa história de tesouros, e quando inventaram os famosos pergaminhos com os quais pretendiam legitimar o Priorado de Sião, colocaram o padre Saunière como o "achador" destes pergaminhos durante as obras de restauro que este empreendeu em Rennes no final do século XIX.

Que problema teve Plantard com a Justiça Francesa em 1993?
O problema nasceu uns anos antes, em 1989, ano em que Plantard divulga uma "circular" do Priorado de Sião, na qual ele dava conta da resignação de Roger-Patrice Pelat do cargo de Grão-Mestre do Priorado. Em 1989, o caso passou despercebido, apenas agitando os diminutos meios esotéricos franceses. Contudo, em 1993, com a eclosão do escândalo financeiro envolvendo Roger-Patrice Pelat, o seu nome saltou para a actualidade política e judicial francesa. O então primeiro-ministro francês Pierre Bérégovoy recebera, em 1986, um empréstimo de um milhão de francos livre de juros de Roger-Patrice Pelat para a compra de um apartamento em Paris. A 1 de Maio de 1993, Bérégovoy foi encontrado morto num canal em Nevers, aparentemente tendo cometido suicídio. A Justiça Francesa, pela mão do juíz Thierry Jean-Pierre, conduziu um processo investigativo em torno deste escândalo. No desenrolar do processo, o juiz Jean-Pierre deparou-se acidentalmente com a "circular" de Pierre Plantard de 1989, que mencionava o seu arguido como tendo sido Grão-Mestre de uma organização intitulada Priorado de Sião. Evidentemente que Plantard mentia, e o juiz Jean-Pierre terá ficado estupefacto ao deparar-se com semelhante afirmação, que aparentemente envolvia o polémico arguido Pelat. Em Setembro desse ano, o juiz ordena a detenção e interrogatório de Pierre Plantard: após algumas horas, este confessa à Justiça ter inventado tudo acerca do Priorado de Sião. Uma busca à casa de Plantard revelou um imenso arquivo de documentação forjada durante uma vida inteira. Plantard foi considerado pelo Tribunal como um "mitómano inofensivo". O caso correu a imprensa francesa. Plantard recebeu uma ordem do Tribunal para parar imediatamente com a mitomania e com a propagação da sua farsa. Gravemente abalado com todo este processo, Plantard retirou-se pouco depois para o anonimato, tendo vivido practicamente incógnito, entre Barcelona, Perpignan e Paris, até à sua morte em Fevereiro de 2000.

Quem faz parte do Priorado?
Convém lembrar que, desde a morte de Plantard em 2000, o Priorado original cessou de existir (porque dependia directamente do fundador Plantard). Os novos "Priorados" de hoje recolhem os lucros do trabalho activo de desinformação de Pierre Plantard. Sempre existiram rumores, certamente infundados, de que o Priorado contou nas suas fileiras com personalidades como Roland Dumas (ex-presidente do Tribunal Constitucional francês), François Miterrand (que de facto chegou a fazer uma visita oficial a um lugarejo inóspito no sul de França, chamado Rennes-le-Château), e até Jacques Chirac. A verdade sobre os membros do Priorado e o mito sobre a sua influência na sociedade, tanto do Priorado original como das suas novas versões, deverá, contudo, ser bastante diferente e mais decepcionante.

Quais são as actividades correntes do Priorado de Sião?
Após a morte de Plantard em 2000, surgiram vários movimentos que se intitulam Prieuré de Sion, ou Priory of Sion. Em França, o actual grão-mestre é desconhecido. Fala-se em Thomas Plantard, filho de Pierre Plantard, mas esta tese não é credível. Uma das figuras mais visíveis, que se intitula "secretário" do Priorado actual, chama-se Gino Sandri e é membro de uma associação sindical francesa. São três os países de acção destes novos "Priorados": a França (onde nasceu a ideia com Plantard), a Grã-Bretanha e os Estados Unidos da América. Como qualquer outro grupo que ambiciona poder e notoriedade, estes "Priorados" tentam recolher para as suas fileiras personagens com influência política ou económica na sociedade que apresentem uma forte vontade de se associarem para melhor beneficiarem de trocas de favores e protecção. Mas o sucesso destes Priorados em tornarem-se grupos de pressão com significância é muito reduzido, como se constata pelos seus próprios resultados: estes movimentos conseguiram sobretudo ser os detentores da propriedade intelectual de uma excessivamente popular farsa histórica. Concluindo, o poder efectivo do que se costuma chamar Priorado de Sião é temido e respeitado por hordas de leitores impressionáveis, que nem supõem que estão a falar de movimentos distintos e em oposição entre eles, cada qual lutando pela "autenticidade" de ser o "verdadeiro" Priorado de Sião. A mensagem deturpada de Rennes, essa, não parar de crescer: hoje em dia existem centenas de livros, filmes, documentários e mesmo jogos de computador baseados na versão adulterada pelo Priorado da história de Rennes e do seu padre Saunière. A face mais visível desta propagação da farsa está materializada no livro O Código da Vinci, da autoria de Dan Brown.

Quem é este Gino Sandri, suposto actual "secretário" do Priorado de Sião pós-Plantard?
O seu nome e fotografia constam da página de contactos do site do SNFOCOS, SYNDICAT NATIONAL FORCE OUVRIERE DES CADRES DES ORGANISMES SOCIAUX, uma união sindical fundada em 1938 com sede social em Paris. A função de Gino Sandri nesta união sindical está indicada no site: "Secrétaire National chargé des Caisses nationales". Nos seus tempos livres, Sandri brinca ao pseudo-esoterismo, dando entrevistas em sites sobre Rennes-le-Château e outros temas relacionados, apresentando-se como "secretário" do Priorado de Sião.

Primeira página da carta de pedido de constituição do Priorado de Sião (1956) Segunda página
Primeira página da carta de pedido de
constituição do Priorado de Sião (1956)
Segunda página

Os capítulos que se seguem apresentam provas conclusivas, argumentos de peso, e novas pistas que permitem uma melhor compreensão deste fenómeno social que foi o Priorado de Sião. Aqui pretende-se colocar um ponto final em várias décadas de mentira, confusão e desinformação. Até o leitor mais crédulo na ideologia do Priorado vacilará depois de confrontado com o material que se segue. Já pouco falta, para além desta informação, para que se compreenda tudo o que há a compreender sobre esta gigantesca farsa. Isso deve-se ao esforço continuado de muitos investigadores. Queríamos endereçar aqui uma palavra de agradecimento ao investigador inglês Paul Smith que, com a sua atenção extraordinária e zelo científico inabalável, nos ajudou decisivamente pela partilha desinteressada das suas provas, documentos e resultados.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Entrevista

Entrevista
Francisco Florenzano
Venerável-Mestre da Loja Maçônica Vitória Regia Nº 33

Nas palavras do Venerável-Mestre Francisco Florenzano, Em entrevista exclusiva a nosso BLOG,a autoridade da Loja Maçônica em Oriximiná fala sobre Maçonaria.

1º o que é a Maçonaria?

R= É uma Associação de Homens honrados, que buscando melhorar seu próprio ser, contribuem para a felicidade do gênero humano, disseminando a concórdia, a tolerância, o amor fraterno e a prosperidade, conseqüência do acúmulo de saber que deve distinguir os Maçons.

2º Trace um quadro geral da Maçonaria no Brasil, hoje.

R= Depois de longos tempos de glória, onde a Ordem influiu de maneira decisiva para as grandes conquistas Nacionais, houve uma espécie de acomodação dos seus membros até recentemente. Hoje, a Ordem volta a imprimir vigor nos seus trabalhos e recupera a credibilidade que sempre a diferenciou das demais organizações sociais.

3º O senhor acha que as pessoas que aspiram entrar para a Maçonaria a vêem como uma escada social?

R= Sim. Por não conhecerem plenamente os propósitos da Ordem e de algum modo perceberem que aqueles que são seus membros se notabilizam. Isso ocorre porque a Maçonaria escolhe para si aqueles que tem valor e o progresso material e espiritual decorre da aplicação sistemática dos ensinamentos e a boa prática das virtudes.

4º Qual a avaliação que o Sr. faz de sua gestão frente a Loja Maçônica Vitória Regia Nº 33.

R= Estamos vivendo o apogeu de uma época de recuperação da situação caótica que tomou conta da Loja por longo tempo, até cinco anos atrás. Esta nova era da Vitória Régia nº 33, com a restauração da capacidade de funcionar, melhoramento das instalações prediais e incremento do quadro de Obreiros iniciou-se cinco anos passados, sob a liderança do Venerável Irmão Hirdes Pereira da Silva Júnior, atingindo seu ponto máximo nestes tempos atuais e deverá prosseguir em ritmo forte sob a liderança do Irmão Dalton.

5º Qual foi a principal realização dessa sua gestão? O que você gostaria muito de ter realizado e que não foi possível implementar?

R= Não tenho frustração nenhuma com relação a administração da Loja. Tudo acontece a seu tempo, assim como uma ave só voa depois de completamente emplumada e a solidez de uma obra depende de seus alicerces. Reformamos o Salão de Banquetes, o telhado da Loja foi substituído em 50%, o Templo também foi reformado, e ainda vamos reformar e transformar a fachada neste tempo que me resta como Venerável Mestre. O Quadro de Obreiros foi ampliado, a ritualística aprimorada e interagimos muito mais com outras Lojas do entorno, e a Ordem adquiriu grande visibilidade e respeitabilidade na Sociedade local, dentre outras coisas. Por outro lado, carecemos ainda muitas outras que dependem de investimento mais forte, como a execução de arrimo na parte posterior da sede, a ampliação do Pátio Ocidental, a restauração do banheiro feminino, a implantação de uma Secretaria ágil, moderna e funcional, por exemplo.

6º onde funciona a reunião da maçonaria em oriximiná?

R= Em nosso Templo próprio, localizado à Rua Barão do Rio Branco nº 1772, todas as quintas-feiras às 20:00 h, e quantas outras vezes sejam necessárias para a consecução dos objetivos da Ordem.

7º Para finalizar: deixe seu recado ou reflexão?

R= Nada é tão bom que não possa ser melhorado. Se o Grande Arquiteto do Universo nos iluminar o suficiente, a Vitória Régia nº 33 dentro em breve será referência na jurisdição da Grande Loja Maçônica do Estado do Pará, pela capacidade de seus membros de realizar trabalho, por sua dedicação às causas da Ordem e pelo aperfeiçoamento constante de todos nós. O tema para reflexão é União, cada vez mais União.

Francisco Florenzano

Venerável Mestre



quinta-feira, 29 de maio de 2008

Refletir...


Mais uma história para reflectir. Mais uma pequena história que recebi por correio electrónico. O texto é pequeno. Mas os textos são como os homens: não se medem aos palmos! Não é preciso mais para nos dar que meditar.


Um homem estava a colocar flores na campa de um parente quando, ao seu lado, na campa vizinha, um chinês colocou um prato de arroz.


Voltando-se para ele o homem perguntou:


- Você acredita que o defunto comerá o arroz?


- Sim! – respondeu o chinês…- Quando o seu familiar defunto vier cheirar as suas flores...


Moral da História:


Respeitar as opções do outro, é uma das maiores virtudes que um ser humano pode ter. As pessoas são diferentes, actuam e pensam de modo diverso.


Não julgue! ............ Simplesmente COMPREENDA.